Muito pano
Por B. | 31/05/2021




USK – seleção dos últimos de Maio
Por B. | 30/05/2021




Finalmente, Kaijune 2021!
Por B. |

Fugindo um pouco da programação que postei outro dia mesmo – anarquia, bebê! – quero anunciar nem que seja com dois dias de antecedência que esse ano vou participar do desafio Kaijune.

Explicando o desafio: o nome é um trocadilho (como sempre) com a palavra June, que é junho em inglês, e kaiju, ou 怪獣, que é uma palavra japonesa que pode ser traduzida como “monstro”, “besta incomum”… É como é chamada aquela categoria de monstros gigantes que conhecemos de programas como Power Rangers. Godzilla talvez seja o kaiju mais famoso. Enfim, a proposta é postar um desenho de um kaiju por dia durante o mês de junho.

Há anos fico na vontade mas nunca me organizei o suficiente. Esse ano não só rolou a tal preparação técnico-psicológica pra embarcar nessas coisas como calhou de ser uma ótima oportunidade para desenvolver algumas habilidades que me serão úteis em um projetinho pessoal que pretendo realizar esse ano. Mas sobre isso: aguardem.

Não existe uma lista de temas oficial e resolvi pela primeira vez participar de um desafio desses sem uma. Vamos ver o que sai.




Borboletas que migram ou não
Por B. | 29/05/2021

As Borboletas Monarca são uma espécie que todo mundo tem a impressão de já ter visto, porque por aqui no Brasil temos várias espécies parecidas com listras laranjas e pretas e os pontinhos brancos. Mas apesar de parecerem comuns, a subestécie Danaus plexippus plexippus dessas borboletas está em um galopante processo de extinção, mais uma consequência lamentável das mudanças climáticas, um desastre descomunal para o planeta pois essas danadas literalmente atravessam gerações num ciclo migratório impressionante que poliniza quase 5.000.000 quilômetros entre México e Canadá. É realmente incrível. Recentemente, cientistas tentaram aumentar sua população com a criação em cativeiro. Quando finalmente soltaram as milhares de borboletas, descobriram que Borboletas Monarca criadas em cativeiro não sabem migrar.

Um estudo de 2019 descobriu que a clausura provoca alterações identificáveis no código genético dessas borboletas, apagando sua habilidade de saber pra onde ir. Mas em algum universo paralelo, alguém me pede para fazer uma interpretação poética sem muito compromisso com as realidades dos fatos para essa descoberta – nesse universo paralelo as pessoas não confundem idéias agradáveis com as realidades dos fatos. E eu digo que as borboletas mais novas na jornada aprendem com as mais velhas que aprenderam com as mais velhas que se foram no caminho. As borboletas portanto, concluo, migram não por instinto e sim por senso de responsabilidade. Fofas.




Monstro de metal
Por B. | 28/05/2021




Passando no canto
Por B. | 26/05/2021




Programação semanal do Blog
Por B. | 25/05/2021

Pois é, esse blog meio que tem uma programação. Não sei se é perceptível.


Segundas, quartas e sextas: desenhos escolhidos do meu caderno de rascunho, feitos na semana anterior.

Sábados: textos.

Domingos: revesamento entre seleção dos sketches urbanos (USK) e das ilustrações científicas da quinzena.

Terças e quintas: tudo pode acontecer, inclusive nada.




Vôo acompanhado
Por B. | 24/05/2021




Leucinodes orbonalis
Por B. | 23/05/2021

Desenhos de imago recém saído do casulo.




Jacarezinho
Por B. | 22/05/2021

Vamos recapitular: o Brasil foi último país a abolir a escravidão, e só depois que a pressão ficou inviável. Não só a nossa política se fundou em uma lógica escravagista, como a nossa sociedade se organizou em torno de relações escravagistas e as nossas leis foram paulatinamente repensadas para a manutenção dessas relações à medida que o sistema em si se tornava uma vergonha. Nosso sistema jurídico, penal, nossa polícia, são frutos históricos de algo que só deixou de ser explícito 39 anos antes do meu avô, ainda vivo, nascer. Deixando de ser explícito, se tornou mais um valor implícito cultivado nas brechas do jeitinho.

Quando um vice-presidente brasileiro diz que o irmão de uma garotinha de 9 anos, um senhor desarmado em uma cadeira de plástico e mais 20 e tantas pessoas que foram assassinadas por simplesmente estarem lá são “tudo bandido”, ele quer dizer “tudo preto”. Eis o progresso malicioso de uma ordem velha e cruel.




Tá de binder?
Por B. | 21/05/2021




Quase uma mosca
Por B. | 19/05/2021




Quase um peixe
Por B. | 17/05/2021




USK – primeiros de Maio
Por B. | 16/05/2021




Desentupindo canetas técnicas (de nanquim)
Por B. | 15/05/2021

Essa foi minha primeira caneta de nanquim, presente de aniversário do meu Tio, quando eu era bem criancinha. Ela estava há pelo menos uns 28 anos sem funcionar.

Depois dessa conquista, me empolguei e embarquei numa jornada de desentupimento em série das canetas que estavam na caixa de materiais que herdei. É uma bela coleção de marcas e tamanhos de pena variados. Todas com diferentes de graus de limpeza, algumas estavam com restos de nanquim há anos abstruindo suas pecinhas. Agora, estão todas guardadas no estojo reservado para materiais de arte final, devidamente funcionais. Como? Abaixo, um breve tutorial.

O que eu uso nessas sessões de luta contra as pelotas de tinta ressecada:
– Amônia, desses potinhos que se compra em farmácia e supermercados para descolorir pelos. Use em locais ventilados e evite inalar, de preferência use máscara. Não é brincadeira!
– Água (faça isso perto de uma torneira)
– Palitinhos de dente
– Algodão
– Cotonetes
– Papel higiênico ou toalha de papel
– Potinho de vidro
– Pedaço de borracha de pneu de bicicleta (é opcional, porém bastante útil)

A amônia, dica que peguei dos blogs de entusiastas de caneta tinteiro, dissolve os resquícios solidificados de tinta mas nanquim é uma tinta solúvel em água então você pode tentar remover boa parte dos resíduos apenas lavando com água mesmo e reservar o uso da amônia para as partes mais difíceis. Ainda assim, quando for usar a amônia, procure dissolvê-la como eu explicarei mais adiante.

Primeiramente, é preciso entender o funcionamento da caneta técnica e aprender a desmontá-la sem danificá-la. Apesar das pequenas diferenças entre uma marca e outra, todas as canetas do tipo são constituídas basicamente de um cabo, uma tampa, um recipiente para a tinta, uma base para a pena e a pena, que é formada por uma estrutura externa com uma tampa embaixo que contém uma delicada agulha. É nessas últimas peças que a mágica – ou a maldição – acontece.

Comece deixando esse conjunto de peças de molho por mais ou menos 24 horas em uma mistura de 1 parte de amônia para 5 de água. Isso vai ajudar a amolecer e eliminar parte da tinta que estiver grudando as peças para que você desmonte a estrutura. Lave o conjunto na torneira e deixe tudo à mão para iniciar os trabalhos. Desmonte tudo tomando cuidado para separar as pecinhas de uma forma que elas não rolem para o chão e que você não as perca de vista, elas são bem pequenas e fáceis de perder! Caso a rosca esteja muito difícil de desenroscar, use um pedaço de borracha de pneu de bicicleta para segurar firme e ter o atrito suficiente. Aliás, guarde esse pedaço de borracha, isso vai facilitar a lidar com todas as roscas da vida que você encontrar daqui pra frente.

Umedeça o algodão em amônia e muito, muito, mas muito mesmo delicadamente limpe a agulha. Sempre que você usar amônia pura, enxagüe a peça logo em seguida. A recomendação é que se dilua a amônia para evitar danificar o material da caneta, mas às vezes é necessário usá-la pura nesses casos. Por via das dúvidas, enxagüe em seguida para evitar problemas. Pingue uma gota de amônia dentro da tampa e use o palitinho e cotonetes para desmanchar e retirar a tinta que estiver lá dentro. Faça o mesmo com o tubinho para a tinta, usando um pouco de algodão enrolado na ponta do palitinho ou um cotonete para evitar arranhar o plástico dessa peça, que costuma ser mais suave. A ponta do palitinho também serve para retirar tinta dos frisos das roscas. Repita esses procedimentos quantas vezes forem necessárias. Enxagüe, enxugue, monte novamente, encha o tubinho de tinta nova e termine de montar sua caneta.

Para ajudar a tinta nova a chegar na ponta, você pode deixá-la virada com a ponta pra baixo, tampada, durante alguns minutos. A velha balançadinha também vai ajudar nessa hora e se você ouvir o característico barulho da agulha batendo lá dentro, é sinal de que você conseguiu desobstruir o caminho. Agora tudo deve funcionar perfeitamente mas se isso não acontecer, repita a limpeza. Não desista da sua caneta!




26
Por B. | 10/05/2021




A caixa do luto
Por B. | 08/05/2021

Há anos, eu guardava uma caixa de materiais de arte que foram de um tio meu. Finalmente usar esses materiais, esse ano depois de tantos outros, foi resultado de um processo muito pessoal e intenso de, com muita terapia, trabalhar um luto que ainda estava engasgado. Meu tio tinha uma invejável coleção de HQs que ele me mostrava com paixão em conversas que definiram meus desenhos até hoje. Ele ajudou a plantar no fundo da minha consciência a sementinha que mais tarde me fez entrar para o time dos comedores de planta, o que ele não chegou a ver acontecer. Enquanto ele estava vivo eu não tinha a maturidade para entender quão profundo, revolucionário e necessário era seu discurso de que a humanidade é sim constituída de uma maioria de pessoas boas, que querem o bem e que o fazem, que não podemos deixar o barulho dos atos ruins poluir nossa capacidade de enxergar isso. Ele carregava o estigma de figura exótica com invejável tranquilidade e seu sempre inabalável senso de humor. Uma vida relativamente breve vivida com uma indiscutível e raríssima intensidade.

As canetas e lápis herdados são uma das várias formas em que ele marcou o que eu faço sem saber.




Dor nas costas
Por B. | 07/05/2021




De óculos
Por B. | 05/05/2021




Cybercaracol
Por B. | 03/05/2021




Alguma luz
Por B. | 01/05/2021

(Enviei esse texto ao urbansketcher.org junto com os sketches postados no dia 22 e imediatamente recebi a resposta automática de que não estão recebendo posts novos nem novos correspondentes. Vou enviá-lo para o mundo através do Blog então).

Pelo bem da nossa saúde mental, eu e minha esposa tivemos a idéia de passar uma hora da parte da manhã sentades na área comum do nosso prédio. Nós somos pessoas de “lá fora”, sabe. Nossas mentes ainda não se acostumaram com a falta das caminhadas, das ruas, do barulho, das pessoas e das noites sem fim dançando com nossos amigos. O covid veio e nós passamos um ano tentando aprender como ficar sãs assim, quietes em casa. Ainda estamos tentando então talvez aquela área, apesar de ainda estar na parte de dentro do portão, possa ser uma dosa segura de “lá fora”. Aí eu coloco no bolso o kit de sketch atual, o mais minimalista que já tive e ainda não tive chance de usar em um encontro com minhes companheires sketchers do grupo local. Uma caneta tinteiro com tinta preta, um pincel de água, uma caneta branca de gel e meu caderninho minúsculo. Só isso.

Nós nos sentamos lá, minha esposa abre um livro, eu escolho uma parte de “lá fora” e começo a desenhar. Algumas coisas passam pela minha cabeça. Eu penso em como eu comecei a fazer urban skecth para melhorar os cenários das minhas ilustrações sci-fi, e agora nós estamos vivendouma distopia real. Eu penso na minha cidade, sua famosa vida noturna sem fim de bares e como é que eu pude realmente achar que as pessoas aqui iriam ficar em casa, que ingenuidade a minha. Eu penso naquela noite em 2018, quando nós nos encontramos com outras pessoas LGBTQIA como nós, amigues e estranhes, em um apartamento onde nunca estivemos antes e nós choramos todes juntes porque o obscurantismo havia ganhado as eleições, e agora as decisões negacionistas desse governo levou o Brasil a mais de 3000 mortes por dia, sem perspectiva de nenhuma solução. Eu vejo pessoas andando na calçada sem máscara e penso em nosses amigues que fizeram seu melhor para se cuidas e mesmo assim ficaram doentes e eu penso em nossos parentes que morreram. O medo e a decepção estranhamente se misturam a luz aconchegante e quentinha do sol da manhã enquanto eu capturo um pedaço do país perdido que habito. E então nós voltamos pra dentro, pra enfrentar mais um dia de paciência e esperança vacilante. Fiquem segures, se cuidem.

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(I sent this text to urbansketchers.org with sketches posted on 22th and imediately received the answer that they’re not “not reviewing USk blog guest posts or considering new correspondents at this time”. So I will send it to the world through the Blog).

Some light

For the sake of our mental heath, me and my wife had the idea of spending an hour in the morning sitting at a common area of our building. We are both “outside” people, you know. Our minds still didn’t get used to miss the walks, the streets, the noise, the people and the endless nights dancing with our friends. So covid came and we spent an year trying to learn how to stay sane like this, quiet at home. We are still trying, so maybe that area, though is still inside the buiding’s front door, can be a litttle safe dose of outside. So I put in my pocket the current sketch set, the most minimalist I ever had and I didn’t get the chance of use it in a encounter with my fellow sketcher from the local group. One fountain pen filled with black ink, one waterbrush, one white gel pen and my tiny sketchbook. That’s it.

We sit there, my wife opens a book, I choose a part of “out there” and start drawing. Some things come to my mind. I think about how I first get into urban sketch to improve the backgrounds of my sci-fi illustrations, and now we are living a real distopia. I think about my city, it’s famous non-stop night life of bars and how come I really thought people here would really stay home, how naive of me. I think about that night in 2018, when we met other LGBTQIA people like us, friends and strangers, on a appartment we never went before, and we cried all together cause the obscurantism won the presidential elections, and now this government’s negationists decisions drove Brazil to more than 3000 deaths per day, without perspective of any solutions. I see people walking the sidewalk without a mask and I think about our friends who made their best to take care but got sick, and I think about our relatives who died. The fear and the disapoitment oddly mix with the cozy warm morning sunlight as I capture a piece of the lost country I habit. And then we go back indoors, to face another day of patience and stumbling hope. Stay safe, take care.







posts do antigo blog